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A diversidade no trabalho tem o poder de salvar as empresas?

Diversidade é vantagem competitiva”. É assim, de forma enfática, que Priscyla Laham, vice-presidente de vendas da Microsoft no Brasil, destaca a importância de repensarmos a composição das equipes nas empresas. Nina Silva, fundadora do movimento Black Money, também tem opinião parecida. “As empresas não podem mais ignorar esse assunto. Elas estão perdendo dinheiro”.

Duas apresentações desse tema aconteceram no RD Summit, evento de marketing digital que acontece em Florianópolis (SC) entre 8 e 10 de novembro. Priscyla participou do painel Mulheres na Liderança, acompanhada por Laura Constantini, co-fundadora da Astella Investimentos e por Fernanda Brunsizian, diretora de comunicação corporativa da Resultados Digitais, em um debate mediado por Juliana Tubino, chief revenue officer também da Resultados Digitais. Já Nina apresentou a palestra “Tecnologia para quem?”.

Nina também tem uma história não convencional. Nasceu em uma favela do Rio, fez faculdade sonhando em alcançar um cargo de liderança, e acabou na área de TI “porque disseram que daria dinheiro”. Entretanto, percebeu problemas sérios na área, como o fato de que mulheres negras podem ganhar menos da metade do salário de homens brancos. Nina não se omitiu, e seu trabalho a fez ser reconhecida como uma das 100 pessoas afrodescendentes mais influentes do mundo, segundo o MIPAD100 e a ONU.

O caminho com dificuldades e percalços não se limitou a Nina. “Ignorar o que parecia impossível foi o meu maior acerto na carreira; aceitei o risco e deu certo”, relatou Priscyla.

O desafio de ter equipes diversas é grande, e Juliana resume o tamanho do desafio: “Representar a sociedade é o mais importante. Isso significa ter 51% de mulheres e 54% de negros na empresas”. Mesmo assim, a executiva diz que essa é a melhor forma para se ter diversidade de pensamentos na empresa, que se traduz em diferencial competitivo.

Reverter esse quadro demanda intencionalidade. Dizer que todos os caminhos levam a Roma não é verdade, de acordo com Priscyla. “Conforme você ascende na carreira, é importante que você seja intencional nas ações e nas formas de chegar lá. Se você se acha 70% pronta, se joga”. E reforça que ignorar o que parecia ser impossível foi o maior acerto da carreira dela.

Mesmo quem passa por caminhos mais difíceis nem sempre colabora para resolver o problema. “Me dá uma tristeza grande quando vejo mulheres que progrediram na carreira e cometem os mesmos erros”, diz Juliana. “Ocupem o espaço que é de vocês”, encoraja ela, parafraseando Sheryl Sandberg, do Facebook, que não quer que mulheres perpetuem os mesmos desafios que elas mesmas precisaram superar.

O lado comportamental também pesa. Laura reconhece que a jornada é longa, e que entender o próprio propósito é fundamental, uma vez que atitude e comportamentos podem ser gargalos para o próprio desenvolvimento e o amadurecimento das organizações.

A composição de equipes também deve ser repensada. “Um líder, hoje, não é a pessoa que tem o maior cargo. Quanto mais jovem o funcionário, menos importante é a hierarquia”, resume Fernanda. “Líder é, hoje, quem inspira”, conclui. Pryscila reforça a importância de gestão de pessoas, ao reforçar a importância de que líderes sejam inspiradores e saibam combinar as diversas fortalezas do time em prol de cada causa.  

Mais que isso, as empresas precisam ter equidade como um de seus pilares. Na visão de Nina, “não somos iguais. Entendam e sejam felizes assim. Só teremos oportunidades iguais quando tivermos contextos iguais. Enquanto isso, precisamos de equidade”. E Nina reconhece que essa tendência é maior que ela mesmo. “São números, são relatórios da McKinsey. Empresas com diversidade lucram mais. Se não for pelo amor, vão ter que aceitar pela dor”.

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