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Como funciona o aplicativo que visa proteger mulheres vítimas de violência doméstica

“PenhaS”, lançado pela ONG AzMina, contará ainda com espaço de notícias do HuffPost Brasil e de outros veículos de comunicação.

“PenhaS”, lançado pela revista AzMina, visa ser uma ferramenta de denúncia e acolhimento às mulheres vítimas de violência.

No último ano, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil, e outras 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio. Entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. E, após sofrer uma violência, mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor ou procurou ajuda.

Dados como esses, divulgados recentemente pelo Datafolha e pelo Fórum de Segurança Pública (FBSP), serviram de motivação para a ONG AzMina criar o PenhaS, aplicativo lançado nesta sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher ― disponível para Android e, em breve, para iOS ― que visa não só ser um canal de denúncia de violência contra a mulher, mas também de acolhimento.

“PenhaS” faz referência à Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, e é formado por três áreas: EmpoderaPenha, DefendePenha e GritaPenha. E é na área “Empodera” que o app vai além da denúncia. Ela é um espaço de conhecimento, que conta com informações básicas sobre direitos das mulheres, mapa de delegacias e notícias de veículos de comunicação, como HuffPost Brasil, JOTA, Agência Patrícia Galvão e Gênero de Número.

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Marilia Taufic, coordenadora coluntária do projeto à esquerda e Carolina Oms, co-fundadora da AzMina à direita.

“Canais de denuncia já existem muitos. Vimos que era preciso criar espaços também de conscientização e de acolhimento. E, a partir disso, a gente teve a preocupação de fazer com que o app fosse a voz de muitas mulheres”, conta ao HuffPost Brasil a jornalista Marilia Taufic, 34 anos, coordenadora voluntária do projeto na AzMina desde 2015, quando o app começou a ser elaborado.

Para que o app fosse também um canal representativo, mulheres de diferentes idades e classes sociais foram ouvidas durante o processo de criação. Aline da Silva Conceição, de 27 anos, é uma delas. Moradora da Favela da Erundina, em São Paulo, ela trabalha com arte-educação e participa de rodas de conversa com vítimas de violência.

“Eu acho que é importante que as mulheres se agrupem de várias formas. E acho que o aplicativo é mais um auxilio que pode contribuir na vida de outras mulheres. Mais uma ferramenta para se proteger”, afirma à reportagem. A partir desses encontros, ideias para o aplicativo foram aprimoradas como, por exemplo, o “DefendePenha”, área secreta de troca e conversa.

Com o “Defende”, o aplicativo atende à demanda da identificação com outra mulher e do acolhimento. Com a troca de mensagens, a mulher vítima de violência pode se conectar com outras mulheres, trocar informações sobre sua história e reunir forças para buscar saídas.

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“A conexão de mulheres é transformadora e o espaço virtual permite isso, por isso essa área do app é tão importante”, define a promotora de Justiça Silvia Chakian, do Grupo de Enfrentamento a Violência Doméstica (GEVID) do Ministério Público de São Paulo.

Mentora do projeto, Chakian defende que o “enfrentamento da violência vai muito além da esfera apenas da responsabilização” e que ferramentas como o “PenhaS” são cada vez mais necessárias. “A transformação que a gente precisa passa pela assistência e garantia de direitos dessas mulheres”, aponta.

“A transformação que a gente precisa passa pela assistência e garantia de direitos dessas mulheres.”

Silvia Chakian

Na área “GritaPenha”, existe a possibilidade de cadastrar o número de até cinco pessoas de confiança, que serão “guardiãs”, e acionadas por SMS quando necessário. O app ainda conta com a função de gravador de áudio, que capta o som ambiente, visando construir provas para dar força à denúncia.

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“O combate à violência contra mulher não é somente caso de polícia, mas dever de todos. Informação e formação de redes  de proteção podem ajudar mulheres a saírem de relacionamentos abusivos e incentivá-las a procurar ajuda” explica Carolina Oms, co-fundadora d’AzMina.

A segurança das mulheres também foi uma prioridade. Vítimas de violência têm a possibilidade de usar o aplicativo de forma anônima e o login é feito com sistema de criptografia. Segundo as idealizadoras, o app também possui dispositivo de segurança para evitar que o abusador acesse o conteúdo. Todos os cadastros são realizados com checagem de CPF e verificação de número de celular para que não exista possibilidade da criação de perfis falsos e abusivos.

Fonte: https://www.huffpostbrasil.com

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